segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Como foi minha viagem ao Salar de Uyuni, na Bolívia


Essa foi uma das viagens que eu mais ansiava realizar, e posso dizer com toda certeza de que foi um dos lugares mais lindos que já vi. Se você curte fotografia, TEM obrigação de ir ao Salar.
Eu fui com uma amiga de São Paulo, fomos em fevereiro de 2016. Pegamos uma promoção muito boa de passagem da Gol, de São Paulo (Guarulhos) a Santa Cruz de la Sierra, voo direto e rápido. Do mesmo jeito que eu expliquei em outro post, sobre como sair da zona de conforto e enfiar a cara em uma viagem, nós ficamos sabendo da promoção de passagens pelo site Melhores Destinos. A passagem com taxas de embarque sairia coisa de R$ 580,00 por pessoa, e ainda poderíamos parcelar em 6 vezes. Eu já tinha ido à Bolívia uma vez, e queria voltar, principalmente para ir ao Salar, então quando minha amiga comentou sobre a promoção em um grupo de whatsapp, metade do grupo comprou a passagem. Compramos para o mês de fevereiro (isso era junho), porque eu havia lido em blogs que fevereiro era uma boa época (de chuva) para pegar o Salar alagado (que era o que eu pretendia fazer mesmo). Expliquei no grupo a minha intenção de viajar na época de chuva, e aos poucos começaram os questionamentos do pessoal que havia comprado a passagem junto, sobre a época, sobre o que estavam lendo em blogs, sobre muita chuva, sobre alagamentos, sobre o parque estar fechado devido às águas, sobre passeios serem cancelados nessa época. Nada me abalou, nem a mim nem à Fabi, a garota que acabou indo (a única) comigo na viagem. Todos os outros desistiram pelos mais variados motivos.
Bom, enfim, planejamos nossa viagem e fomos. As duas. Sozinhas. Sem medo. E foi espetacular.


Dia 1 - Voos de São Paulo a Santa Cruz, e de lá para Sucre

Bom, nosso voo saiu de São Paulo às 11h05 da manhã do dia 20/02/16, um sábado, e chegamos em Santa Cruz às 12h10 horário local. Vai, passa pela imigração (que é meio demorada), pega mala, passa pela revista, sai no saguão e vamos procurar o balcão da Amaszonas, para despacharmos nossas malas e embarcarmos num voo para Sucre às 17h30 (que depois foi modificado pela companhia aérea para as 16h30). Compramos essa passagem da Amaszonas pelo site da companhia aérea mesmo (https://www.amaszonas.com/pt-br/). Depois de despachar as bagagens, sentamos nas cadeirinhas do aeroporto, aguardando o embarque, e eu, faminta como sempre, de longe avistei um tiozinho passeando pelo terminal com um carrinho daqueles cheio de marmitinhas, vendendo para os funcionários das lojinhas do aeroporto. Fiquei meio sem graça de ir falar com ele, então a Fabi (mais despachada do que eu) foi lá e voltou com a resposta: era marmitinhas de comida mesmo, e ele ainda tinha saladas de frutas e um creme doce de milho, bem parecido com nosso curau. Esfomeada e verde, comprei logo uma marmita e um potinho do creme de milho, e me deliciei com uma comidinha caseira composta de arroz, feijão, ovo frito e bife com tomate e cebola. Muito bom! Temperinho ótimo e sem pimenta. O creme de milho virou minha sobremesa e estava bem gostosinho também...
Fotinho da marmitinha, do doce de milho
da saladinha de frutas da Fabi e nosso
aviãozinho que iria pra Sucre lá atrás do BOA


Nosso voo decolou às 16h40 mais ou menos, e rapidinho chegamos a Sucre. Eu, como da primeira vez que viajei à Bolívia, já comecei a sentir tontura ao desembarcar no aeroporto de Sucre (e olha que Sucre nem é tão alta, fica a 2810m do nível do mar (já estive em lugares mais altos, como Cusco, sem sentir nenhum desconforto). Do aeroporto pegamos um taxi até nosso hostel, o Villa Oropeza, que fica situado no centro histórico de Sucre. Quando chegamos ao hostel, descobrimos que no dia seguinte seria um domingo de eleição, e tudo, eu repito: TUDO, estaria fechado. Lojas, mercados, farmácias... tudo. Até a rodoviária, que pretendíamos ir para comprar uma passagem de ônibus para Uyuni para a segunda-feira de manhã (e sabíamos, após ler alguns blogs, que na Bolívia geralmente eles só vendem passagens com um dia de antecedência, e que esse ônibus matutino pra Uyuni costuma lotar de turistas porque era a melhor empresa que fazia o trajeto
... então o jeito seria acordar bem cedo na segunda e correr pra rodoviária antes de turistas enlouquecidos pelas últimas poltronas do ônibus diurno rumo ao salar). Então o pessoal do hostel nos indicou um mercadinho para comprarmos água e alguma refeição para o dia seguinte, que aparentemente seria um dia apenas de passeio pela cidade fechada.
Ah, detalhe, ao chegarmos no hostel, nos deparamos com nosso nome num quadro branco de entrada do hostel, nos dando as boas vindas...

Olha que fofo!! Fabiana Lima e Ingrid Oliveira!


Dia 2 - Dia perdido em Sucre...

Naaaa... perdido é maldade, vai! A cidade é bem legalzinha de passear. Me lembrou um pouco Cusco, mas a cidade peruana me pareceu um pouco mais charmosa. Não sei se por ser dia de eleição, a cidade estava meio vazia, tudo fechado, tudo monótono. Passeamos pelo centro histórico e voltamos mais tarde ao hostel, para interagirmos com os outros hóspedes, já que parecia bem melhor do que ficar morrendo de subir morro pra ver mais pontos diferentes da cidade... No nosso hostel conhecemos uma espanhola, a Rakel, que acabou acompanhando a gente até o resto da nossa viagem pela Bolívia (isso que é legal de albergue, a gente acaba se enturmando, conhecendo gente nova e acompanhantes novos para os passeios).

Eu, morta de pedra, sem respirar direito,
sorrindo linda e contagiante para uma foto no topo
do Tanga Tanga, com a vista de Sucre ao fundo
(cê não faz idéia do tamanho da subida pra chegar aqui...)


Dia 3 - Viagem de ônibus de Sucre a Uyuni

Fomos cedinho à rodoviária de Sucre e conseguimos comprar bilhetes de ônibus na empresa 6 de Octubre, que foi a empresa de ônibus mais recomendada em blogs que lemos a respeito. Compramos para o ônibus que sairia de Sucre às 09:30 da manhã, com chegada prevista em Sucre às 17:30. O ônibus não parou em Potosi para troca de carro, como lemos que algumas empresas o fazem, apenas entrou em Potosi, deixou algumas pessoas em um ponto de ônibus, e seguiu viagem a Uyuni.
O ônibus não era de todo ruim, mas também não era um extremo conforto como os ônibus que pegamos no Chile e no Peru em outras viagens. E o que era muito importante pra mim: não havia banheiro no ônibus. Isso pra mim é um problema, já que a cada duas ou três horas eu preciso de banheiro. Perguntei ao motorista, e ele me informou que ele fazia algumas paradas durante a viagem para que usássemos "baño". A primeira parada, coisa de uma hora depois do início da viagem, foi num posto de gasolina para abastecer o ônibus. Já havia visto isso na Malásia, de ônibus parar em posto de estrada para abastecer. Aproveitamos e usamos o banheiro do postinho. Depois de mais umas três horas, paramos num lugar que havia banheiros e restaurantes, e o motorista informou que era parada para almoço. Preferimos não almoçar por ali com medo que depois precisássemos usar banheiro (mais ainda), então ficamos apenas bebendo água e comendo biscoitos, enquanto boa parte dos turistas do ônibus - incluindo o motorista - almoçavam tranquilamente num restaurantezinho simpático. Dali umas duas horas, vi quando uma garota foi até o motorista e provavelmente perguntou sobre parada para banheiro. Não sei o que o motorista respondeu pra ela, mas ela voltou tranquila para o lugar dela e em menos de meia hora o motorista parou no acostamento da estrada e gritou:
- Baño!!
Peguei meu costumeiro rolinho de papel higiênico e desci do ônibus, e admirei um descampadão. Não tinha nada ali a não ser terra e pedras. Algumas árvores minúsculas e secas completavam a paisagem. Olhei para o motorista e perguntei:
- Donde está el baño??
O motorista apenas sorriu, os olhos quase fechados por conta do sol, e olhou o descampado.
Ai, carambaaa!! El baño era ali no meio da terra mesmo!! O negócio era escolher um bonsai daqueles e me "esconder" dos olhares curiosos... Aí os outros passageiros do ônibus começaram a descer e se aventurar pelo descampado deserto, e eu fui pra um lado onde tinha um pequeno barranco, que deveria formar tipo um riozinho nas épocas de chuva - porém estava seco. Mas como fazia uma parede pra impedir as vistas das minhas partes pro resto do busão, corri pra lá. Daí percebi o monte de meninas que me seguiam, tendo a mesma idéia. Relaxei e fiz o que precisava e retornei ao ônibus. Sabia que deveria ter usado saia longa nessa viagem para evitar de ter que baixar calças em qualquer lugar assim, mas ainda bem que consegui o morrinho escondido...
Chegamos em Uyuni pouco depois das 17h. O ônibus parou em uma esquina, que já estava lotada de pessoas vendendo pacotes para o Salar e Atacama. Fomos pesquisando os preços dos pacotes - e como pela internet eu já tinha lido que poderíamos encontrar passeios por 80 dólares por pessoa, por 3 dias, não aceitamos os primeiros que nos ofereceram. Todos pediam 120, 125 dólares por pessoa. Começamos a negociar, mas ninguém abria mão do valor, e falaram que a gente não iria encontrar por menos que isso. Eu já havia decidido que pagaria até 90 dólares, mais que isso eu não queria pagar. Acabamos encontrando uma agência que fez por 94 dólares por pessoa, 3 dias de tour, com refeiçoes e alojamento, com banho incluído só na primeira noite (e na verdade tivemos que brigar lá no alojamento porque não queriam deixar a gente tomar banho sem pagar, mas já estava fechado com a agência) , com retorno a Uyuni e acomodação por aquela noite em Uyuni - o que na verdade não pegamos pois já tínhamos hostel reservado e pago. Se eu soubesse que as agências já ofereciam acomodação na primeira noite ali também, não teria fechado a reserva antecipadamente... Mas o motorista do nosso tour mesmo se prontificou a nos levar ao nosso hostel, e informou que passaria no dia seguinte às 07h da manhã para nosso passeio.
Nosso ônibus saindo de Sucre

Dia 4 - Passeio pelo Salar de Uyuni

Nosso carro

Eu e a espanhola no fundo, duas chilenas e o japonês no centro e a Fabi.

Separamos uma mochila pequena apenas com o necessário para sobreviver por 3 dias no tour do Salar, visto que não caberia muita bagagem na caminhonete que nos levaria ao passeio. Apenas aqueles que fossem ficar no terceiro dia na divisa com o Chile (para continuarem o passeio pelo Atacama) poderiam levar toda a bagagem. Além de roupas, câmeras, e afins, ainda tivemos que levar um pequeno estoque de água (garrafas de 1,5l), biscoitos, lenços umedecidos, papel higiênico, para passarmos com um pouco mais de tranquilidade no ambiente rústico do deserto (e aconselho fortemente a levar duas havaianas - a minha estourou em Uyuni, uma noite antes de ir ao Salar, e como o deserto de sal estava alagado, o sal duro, eu não poderia usar tênis durante a visita porque poderia "grudar" os pés e tomar tombos, então era apenas chinelo ou... descalça, que foi o que fiz - e machuquei toda sola do meu pé). 
O motorista nos pegou às 07h da manhã, conforme combinado, e passou na agencinha do centro para pegar mais 3 turistas que iriam conosco, um japonês e duas chilenas. Praticamente quarenta minutos após a saída da agência (onde guardamos o restante da nossa bagagem), já chegamos ao cemitério de trens. Várias locomotivas enferrujadas, vagões, trilhos, rodas, expostas ao ar livre para a visitação. Ficamos por meia hora ali antes de continuar a viagem ao Salar.

Cemitério de trens

Bandeiras de várias nacionalidades, junto ao hotel de sal.

Primeiro chegamos a uma parte seca do deserto, o sal duro e branco lembrava neve olhando de longe. Fizemos várias fotos e seguimos para um hotel de sal apenas pra almoçar. Várias outras pessoas já se encontravam com seus guias almoçando nas várias mesas dispostas para grupos dentro do hotel de sal. Nosso guia achou uma mesa pra gente, e serviu o almoço, que era frango cozido, arroz, salada, batatas e coca-cola sem gelo. Uma garota do meu grupo pediu comida vegetariana para toda a viagem, e normalmente o prato dela era omelete ou mais legumes cozidos. Se a pessoa for vegana, o que não era o caso da minha amiga, terá que pedir também para que não levem ovos, mas acho que é bem tranquilo para veganos. Dali seguimos para o deserto de sal.

Almoço no hotel de sal

O imenso deserto de sal estava alagado graças às chuvas - e era desse jeito mesmo que eu queria vê-lo da primeira vez. Havia coisa de 10 cm de água represada sobre o sal, e eu ali descalça (lembra que eu estourei meu chinelo na noite anterior? Foi durante a corrida desesperada pra ir buscar a pizza no albergue que estávamos, eu vivo morrendo de fome e me desesperei de alegria quando avisaram que a pizza que havíamos pedido havia chegado...). Belisquei meu pé todinho, mas foi até hoje uma das paisagens mais fantásticas que já vi em qualquer viagem que tenha feito. Tudo muito lindo, várias imagens duplicadas pelo reflexo na água, algo sem igual. Fantástico.

Meu pé todo perfurado já e eu fazendo pose pra foto...

Olha só isso! Não é espetacular??

Making Of

Continuamos nossa viagem pelo deserto até chegarmos no nosso alojamento - e eu já estava esperando o inferno de lugar sujo. Mas não era... até que era bem ajeitado. Era super simples, do lado de fora era chão de terra e paredes mal pintadas. Do lado de dentro, piso cimentado, reboco quase sem tinta. Um banheiro só, unissex, com uns 4 toaletes e umas 3 pias, para uso de pelo menos umas 60 pessoas. Não tenho problemas em dividir banheiro assim, mas uma hora que eu fui usar um, me fechei lá dentro, desinfetei com lysoform e forrei bem a privada, e sentei como uma diva esperando o poop vir. Quando de repente me para do lado de fora, por baixo da porta, um pézão tamanho 46 (tinha uns gigantes nórdicos hospedados no alojamento), tentou forçar a maçaneta, e ao perceber que estava ocupado, grudou na porta e berrou:
- Pode ficar à vontade aí, eu espero!!
E ficou lá, o pézão 46 na soleira, aguardando meu poop também.
Não teve jeito, parei tudo, volta poop, levanta as carça, saí. Aí percebi um alemão franzino que também tava no mesmo desepero que eu, olhava todo mundo, esperava o banheiro ficar vazio, e ia embora. Tentei mais tarde. Banheiro lotado. Dei de cara com o alemão franzino indo tentar a sorte. Tentei depois da janta, mas na ida já vi o alemão franzino voltando com cara de desanimado, provavelmente o banheiro estava lotado. Mas ainda assim tentei, só pra fazer um bate-e-volta. Negócio foi colocar despertador às 03h00 da manhã e fui, com lanterninha e meu rolinho de papel higiênico debaixo do braço. Banheiro vazio. Êêêêê!! Só eu e a privada, uhuuuu!!! Aí deu certo, poop foi embora, eu feliz e saltitante! Quando tô saindo do banheiro com minha lanterninha, veio outra no sentido contrário. Era o alemão franzino que também colocou o despertador pras 03h15 da manhã pra evitar o rush do WC.
Mas vamos parar de falar de assuntos escatológicos e vamos voltar ao alojamento. 
Estava muito frio, era mês de fevereiro, e estava em torno de 4ºC, de dia. Eu saí pra fazer umas fotos e tive que voltar para o alojamento porque não estava bem agasalhada. Durante a noite deve ter feito uns 0ºC. O guia disse que no inverno chega a fazer -30ºC naquela área. Eu não duvido.

Nosso quarto no alojamento (e todo mundo já desmaiado)

Minha cama à direita...

Parte externa dos alojamentos, onde serviam as refeições

Do lado de fora, um frio de lascar...

O engraçado é que mesmo com aquele frio todo que estava fazendo, e sem energia elétrica dentro do alojamento (havia apenas um período que ligavam a energia, entre 18 e 20 horas. Nesse horário, uma régua de tomadas ficava lotada com todos os carregadores dos turistas, carregando celulares, câmeras, tudo o que precisasse), não fazia frio lá dentro. As cobertas das princesas que nos ofereceram foram mais do que suficientes para nos aquecer. E também não sofri nada com roupa de cama suja: se estava suja, não deu nem pra perceber. Não fedia e não aparentava sujeira. Eu caí de boa debaixo das cobertas e adormeci como um filhote de cachorrinho.
Agora, a parte do banho foi horrível... conseguimos um chuveiro frio, 5 minutos de banho cada uma, depois de muita discussão com o pessoal do alojamento, pois nossa agência havia garantido que na primeira noite teríamos banho incluído. 5 minutos é muito num banho gelado no deserto, vai por mim..,. levei uns 3 minutos no banho de gato com mais miadeira que vc já pensou ter visto, nunca reclamei tanto de uma água gelada na minha vida.
Durante a tarde, nos dois alojamentos que ficamos, foi servido um chá da tarde com bolachas, manteiga, café, leite e chá. Nossa mesa complementou com algumas bolachas que havíamos levado na nossa mochila. Mais tarde serviram o jantar, que era sempre uma sopa de entrada e um prato principal, como macarrão, por exemplo. Na segunda noite ganhamos inclusive uma garrafa de vinho por mesa (que eu nem bebi por causa da altitude, só o japonês do meu grupo - que deve ter sido criado com saquê desde bebê - que virou alguns copos de vinho com a maior naturalidade do mundo. E eu morrendo de medo que ele passasse mal e vomitasse a noite no nosso quarto... o que não aconteceu. Bicho era regado no saquê, certeza).

Nosso chazinho da tarde, muito providencial naquele frio todo (e a espanhola só de camiseta pra me contrariar...)

Antes da nossa janta, uma sopinha de vegetais pra esquentar.

Dia 5 - passeio pelo Deserto e Arbol de Piedra

Saímos cedo do alojamento para nosso passeio, e rodamos muito pelo deserto boliviano que, diga-se de passagem, vale todo o passeio. A paisagem é rústica, areias, pedras, montanhas nevadas, outras nem tanto. As lagoas do nosso passeio estavam praticamente todas secas, então creio que essa época não é boa pra ver aquelas lagoas verdes que vemos pela internet... Só um resquício de água em lagoas normais, rodeadas de flamingos (ecaaaa.... gente, como esse bicho fede. Ou é o cocô dele?) e com pouca coisa pra se ver de diferente. 

Flamingos lindooos - nada, bicho mais fedorento do mundo. Aqui foi bom porque fotografei de beeeeem longe.

Paisagem do deserto.

Nesse dia nós fizemos nossa parada para almoçar junto à famosa Arbol de Piedra. Eu vou confessar pra vocês que eu não estava nem um pouco animada em ver essa árvore... e muito menos animada em almoçar. Minha pressão deve ter subido horrores e eu tava malzaça com a altitude ali. E o povo todo montou uma toalha de piquenique no sol... a escandinava aqui tava morrendo (eu falo isso e todo mundo assusta, mó morena jambo falando que é escandinava. Mas eu explico: tenho HORROR a sol e calor, me cubro toda, chapéu, blusa de manga longa, saia longa, tudo o que eu puder fazer pra evitar sol e calor, eu faço. Daí eu falo que sou branca como uma escandinava e que pessoas assim não podem tomar sol :) hehehehehe). Encontrei com muito custo uma sombrinha pra comer minha comida, mas eu queria mesmo era voltar pro nível do mar.

A Arbol de Piedra

Guididi morrendo

Guididi morrendo mas sorrindo pra foto...

Olha só que jaca, 4900 mt de altitude? Que isso, minha gente...

O piquenique até que tava bonitinho...

Depois nós seguimos pelas paisagens impressionantes do deserto até nosso alojamento.


Espetáculo de lugar...


Dia 6 - Passeio pelos gêisers e fronteira com o Chile. E nossa volta a Uyuni. E o pneu do carro.


Então acordamos muito cedo pro nosso último dia de passeio pelo deserto. Tinha que ser cedo para que víssemos os gêisers em atividade, antes do nascer do sol. Então saímos da pousada umas 05h da manhã. 
Já no caminho para os gêisers, paramos nosso carro por algum problema. O motorista desceu, olhou e voltou.
- Vocês terão que descer do carro para eu trocar o pneu.
Báááásico. Tava só uns -2ºC lá fora, tranquilo. Descemos e eu me arrependi de justo esse dia não ter levado a cobertinha azul que me acompanhou a viagem toda. Eu gosto de frio, muito, mas nem por isso eu passo o frio... claro que prefiro passar frio a calor, mas assim, no meio do deserto, sem meu cobertorzinho?? Nããão... mas foi. Bom, descemos e esperamos o motorista trocar o pneu. Parou outro jipe logo atrás, e o outro motorista veio ajudar o nosso.

Maledeto...

Hehehe...  motorista tentando trabalhar e a mina legal tirando foto...

Esperando...

Jesus de muletas, sai debaixo desse carro que me dá calafrios!!!

Mas enfim conseguimos retornar pro carro e seguir viagem até os gêisers!! Legal. Quente. Cheiro de enxofre. Já quero ir embora, tá bom já.


Ma num dá pá vê nada na foto, uai...


Daí seguimos pro banho turco. Hehehehe! Nada, uma área de água termal que o povo se pôs a tomar banho. Arghhh, eu tenho uma gastura de entrar em água quente com ambiente frio, vocês não tem noção! Mas, o povo foi. Sei que tinha que pagar uma taxinha pra poder entrar nas águas quentes. Só fiquei de fora fotografando a região enquanto o povo se esbaldava. Argh, que gastura.

O povo lá todo feliz, credo.

Depois das águas termais, seguimos viagem até a fronteira com o Chile, mas nosso carro deu problema de novo. Motorista parou de novo pra mexer no pneu, e nosso medo era que o pessoal perdesse o transporte para o Atacama (desde a saída da agência em Uyuni, poderíamos ter comprado o passeio com Deserto do Atacama. Quem fosse seguir viagem para o Chile iria desembarcar nessa fronteira, e lá estariam outras vans esperando os turistas para continuarem com eles o passeio e essas vans tinham horário para sair de lá. Estávamos receosos que não conseguíssemos chegar a tempo, e as duas chilenas e o japonês que seguiriam pro Atacama iriam perder a van deles. Eu, minha amiga e a espanhola seríamos as únicas que não desceríamos lá, voltaríamos no batidão com o motorista pra Uyuni, cerca de 7h de viagem de volta).
Trocado pneu de novo, continuamos a viagem até a fronteira, mas o motorista nos avisou que não faria mais nenhuma parada com medo de não dar tempo. Também, acho que nem havia mais nenhuma parada programada no caminho, e como eu disse antes, as lagoas estavam todas secas e feias (e cheias de flamingos, eca). Com isso conseguimos chegar na fronteira a tempo do pessoal pegar a van pro Chile. Despedidas feitas, eles correram pras vans e seguiram pra San Pedro do Atacama. Enquanto isso nós ficamos pelo menos uma hora e meia parados ali com o motorista tentando arrumar de vez a roda do nosso carro.





Nosso carrinho em tratamento VIP.

Mágicas do motorista...

Valha-me, um sol rachando a molêra, fiz um turbante.

Geringoncinha quase arrumada!
Bom, jipinho arrumado, entramos no batidão rumo a Uyuni de novo! Motorista fez uma corrida mais veloz do que a normal, e em 6 horas chegamos a Uyuni. No meio do caminho parada para banheiros (um foi a céu aberto mesmo, eu atrás do jipe, uma sensação de liberdade sem igual), e paramos pro almoço também.
Chegamos em Uyuni umas 18 horas, e fomos comprar passagens de ônibus pra La Paz. Minha intenção era pegar o trem na madrugada até Oruro, e de lá seguir de busão pra La Paz, mas minhas companheiras de viagem não quiseram dessa forma porque demoraria mais tempo. Então rodamos no centrinho de Uyuni (pequenininho que só), até achar uma empresa que oferecesse ônibus com banheiro. Achamos uma e compramos a passagem para as 19h30. Enquanto isso fomos comprar água e comida.
A viagem até La Paz foi super tranquila, o ônibus era confortável e consegui dormir o trajeto praticamente todo, e chegamos lá por volta de 05h30 da manhã.


Dia 7 - La Paz

Chegamos de madrugada, chovendo, e pegamos um taxi da rodoviária até nosso hostel. Demorou um pouco para sermos atendidas, e o garoto que nos atendeu falou que só poderíamos pegar nossas camas às 08h00. Sem problemas, pudemos usar banheiro, tomar UM BANHO depois de praticamente 3 dias sem!, e nos recostamos nas cadeiras confortáveis do lobby esperando o horário. Às 07h00 eles serviram o café da manhã e nós pudemos comer também.
Passamos o dia passeando por La Paz e conhecendo seu centro, a Calle de Las Brujas, as lojas, restaurantes, tudo no centro. A nossa amiga espanhola ainda aproveitou para comprar um passeio da estrada da morte que sairia no dia seguinte cedo. 

Calle de Las Brujas

La Paz


Dia 8 - La Paz a Santa Cruz de La Sierra


Aproveitamos esse último dia da viagem para andarmos de novo em La Paz e comprarmos lembrancinhas, tirar as últimas fotos, e seguimos pro aeroporto pegar nosso voo a Santa Cruz.


Dia 9 - Santa Cruz de La Sierra a São Paulo

Dormimos em um hostel em Santa Cruz e nem conhecemos a cidade... de manhã tomamos café, nos arrumamos e já seguimos pro aeroporto pegar nosso voo para Guarulhos.

Bom, a Bolívia é um país impressionante. Já fui a Santa Cruz numa outra viagem, Samaipata, La Paz e Copacabana. Ainda preciso voltar pra conhecer Cochabamba e Oruro, mas agora fica pra próxima viagem.
Obrigada pela visita e espero que o post seja de valia!

:) Guididi









domingo, 17 de dezembro de 2017

Minha viagem pelo Peru em 2013



Data da viagem: de 08 JUN 13 a 25 JUN 13


Passagem de avião:Compramos nossa passagem numa promoção da TAM, de Guarulhos para Cusco com conexão em Lima, e a volta de Lima pra Guarulhos.


Cidades:

1.       Cusco: 4 noites (Hotel Ruinas) – dividido, uma noite na chegada, depois fomos a Aguas Calientes, e na volta ficamos mais 3 noites em Cusco.
2.       Águas Calientes: 2 noites (Pousada Sol de Oro)
3.       Puno: 1 noite (Qelqatani Hotel)
4.       Arequipa: 3 noites (La Hosteria)
5.       Nazca: meio dia (dormimos no ônibus)
6.       Ica: meio dia
7.       Huacachina: 1 noite (Hosteria Suiza)
8.       Paracas: 2 noites (Refugio del Pirata)
9.       Lima: 3 noites (Wasi Apartment II Miraflores)

  
Transportes dos trechos internos:

  1.  Cusco – Machu Picchu: fomos da estação de trem de Cusco a Poroy num micro ônibus, visto que o trem que vai a Águas Calientes (cidade base para visitar Machu Picchu) não sai exatamente de Cusco, e sim de Poroy. Mas comprando o ticket do trem e apresentando na ferroviária de Cusco, vc é embarcado no micro ônibus com destino a Poroy normalmente (deve-se chegar mais cedo na estação de Cusco – vc pode se informar disso quando estiver lá já, antes do dia da viagem a Machu Picchu). A volta de Águas Calientes também não compramos até Poroy, e sim até Ollantaytambo, porque queríamos passear nas ruínas dessa cidade. Então os trechos Cusco/Águas Calientes/Ollantaytambo fora feitos de trem Vistadome pela Perurail, compramos com antecedência pelo site www.perurail.com (deu um pouco de trabalho para comprar porque precisava de um cartão “Verified By Visa”, mas conseguimos pagar com o cartão de um dos meninos que ia junto e logo recebemos a confirmação da compra e tickets por email).
  2. Cusco – Puno: decidimos ir de trem carérrimo, compramos um dia antes do embarque numa loja da Perurail lá em Cusco mesmo. Esse trecho poderia ser feito de ônibus comum ou de ônibus turístico (10 a 12 horas de viagem, com várias paradas em outras cidades e parada para almoço não incluído na tarifa do ônibus). Mas preferimos o trem (U$ 250,00 por pessoa! Incluía apenas um pisco sour na entrada, almoço sem bebidas e um lanchinho meia-boca de tarde), 12h de viagem, por ser um trem chique e uma experiência única. Fez uma parada em La Raya (alto pacas, 4319m do nível do mar), mas o tempo todo de viagem teve desfile de moda, apresentação de dança, almoço, tem um vagão-bar (passei muito tempo lá tomando pisco-sour, aí quando chegamos a La Raya, eu já tava verde com a altitude e a cachaça nas zorêia), e um último vagão que é meio vagão-varanda, pra gente ir sentado vendo a paisagem passar. É realmente lindo, valeu cada centavo (naquela época o dólar tava melhorzinho, né?).
  3. Puno – Arequipa: ônibus, compramos lá na rodoviária de Puno mesmo. Toda hora tem ônibus, foram umas 6h de viagem. Ruim é você ficar na rodoviária com um monte de gente oferecendo viagens pra Arequipa, berrando o tempo todo "Aaaaarequipa, Arequipa, Arequipaaaaa!"... parece o carro da pamonha.
  4.  Arequipa – Nazca: ônibus, compramos na rodoviária de Arequipa, ônibus leito noturno, com jantar, filme, banheiro no ônibus (noite inteira viajando, chegamos em Nazca umas 05h30 da manhãe já fomos direto pro aeroporto fazer o voo das linhas).
  5. Nazca – Ica: Van, contratamos lá no aeroporto mesmo, com a mulher da agência que nos vendeu o voo pelas linhas de Nazca. A van foi uma aventura, achamos que a gente ia morrer, motorista louco e despreocupado com a vida dele. Depois descobrimos que todo motorista de ônibus do Peru é mais ou menos assim... faça um seguro gordo antes de viajar pra lá.
  6. Ica – Huacachina: taxi, trajeto muito rápido, creio que uns 20 minutos.
  7. Huacachina – Paracas: taxi até Ica, de lá pegamos ônibus até Paracas (não lembro o tempo de viagem, mas acho que algo como 3 ou 4 horas).
  8. Paracas – Lima: ônibus (4 horas de viagem).


Trem de Cusco a Puno
Linha do trem passando por cima da feira em Juliaca 
Interior do trem, vagão de passageiros 
 Interior do trem, vagão bar
Vagão varanda



MACHU PICCHU (Aguas Calientes)

Como eu falei antes, o ônibus sai de Cusco a Poroy, e de lá sai o trem pra Águas Calientes, e demora quase 4h a viagem. Tem almoço a bordo, dependendo do ticket que vc comprou. Chegamos em Águas Calientes e nossa pousada havia dito que nos iria buscar na estação de trem. Não foram, mas também nem precisou: Águas Calientes é um ovo com poucas ruas, bem estreitinhas, vc anda 5 minutos e tá no seu hostel, pousada, hotel, restaurante. Chegamos na pousada perto de meio-dia, e fomos procurar lugar pra almoçar, já que só iríamos a Machu Picchu mesmo no dia seguinte cedo. Aproveitamos pra fuçar tudo: de onde sairiam os ônibus circulares para Machu Picchu, onde deveríamos trocar nosso voucher do ingresso pra entrada em MP que compramos antecipadamente pela internet (e descobrimos que poderíamos ter comprado lá tb), a partir de que horas começaríamos a sair, tudo. Como a cidade é realmente muito pequenininha, faz-se tudo a pé, e bem rápido.
Descobrimos então que os ônibus começam a sair de Águas Calientes para subir a montanha às 05h30 da manhã. E que nossa pousada servia o café da manhã a partir das 04h30. Então acordamos bem cedo no dia seguinte, tomamos nosso café e fomos para o ponto central de onde sairiam os ônibus, e as filas já estavam gigantes de tanto turista. Mas não se assuste! Tem muitos ônibus e lugar pra todo mundo. Pagamos na hora ali o bilhete de ônibus. E 05h30 esses começaram a sair em direção à montanha.
A amiga maluca em Águas Calientes

-> Comprando INGRESSO pra Machu Picchu

O ingresso pro parque nós compramos direto no site do governo do Peru, www.machupicchu.gob.pe . Compramos com antecedência com medo que esgotasse. Não propriamente o ingresso de Machu Picchu, mas o ingresso pra subir a Wayna Picchu, aquela montanha famosa do cartão postal, a mais alta, que tá atrás da cidadela. Sim, porque é algum tipo de moda subir uma das montanhas, ou a Wayna Picchu, ou a da frente da cidadela (de onde se tem uma vista mais “aérea” do cartão postal que estamos acostumados a ver). Essa montanha da parte da frente não tem nome, e é comumente chamada de “Machu Picchu” também. Qual a diferença delas? Até então eu não sabia. Fucei pouco e achei: a Machu Picchu vc não paga pra subir, não tem horário de chegada pra começar a subida, e é mais alta que a Wayna Picchu. A Wayna Picchu, por sua vez, super inocente, é 1000 mts mais baixa que a Machu, e vc paga pra subí-la (compra o ingresso junto com o ingresso de Machu Picchu parque). E tem dois horários para subir: às 07h da manhã ou às 10h, limitado a 200 visitantes por horário. Claro que eu sou esperta pra caramba e comprei logo os ingressos pra essa disgramada dessa montanha baixinha, lógico, a preguiça sempre falou mais alto... Quando chegamos em Aguas Calientes, fomos ao escritorio de Turismo com os ingressos na mão (impressos do site) só para verificar se estava tudo ok, esse escritório fica logo ao lado da estação de trem, facinho de achar. O problema desse site, que muita gente reclama, é que pra comprar tem que ter o cartão de crédito Verified By Visa, eu não sei direito como que isso funciona, mas sei que compramos todos os ingressos com o cartão do meu amigo e conseguimos comprar. Aí selecionamos a data, e escolhemos o Machu Picchu mais Wayna Picchu das 07:00, custou 152,00 soles pra cada pessoa (quase 150 reais). Quando vc entrar no site, no canto esquerdo, tem "lugar a visitar", escolha se quer só Machu Picchu, ou se quer com a montanha, e que grupo quer - grupo 1 (entrada das 07h00 às 08h00 ou grupo 2, das 10h00 as 11h00). O horário é referente à entrada no portão de acesso à montanha, já dentro da cidadela. Pelo mapinha depois vc descobre onde é, não é difícil de achar não, é bem fácil, mas tem que preencher um livro na entrada com seu nome, então forma uma fila na entrada da montanha. Se não conseguir comprar pelo site, não se desespere: lá em Cusco ou Aguas Calientes vc consegue comprar o ingresso por praticamente o mesmo preço que o site.

-> O troféu "PRAQUÊ"

Bom, o parque mesmo abre as 06:00. Logo na entrada tem a mesinha com os carimbos pra estampar o passaporte!!! Fizemos isso antes de ir embora.
Bom, como eu disse, compramos o ingresso pra subir a Wayna Picchu (ou Huayna Picchu) às 07:00, por isso chegamos cedo no parque. E vou tocar de novo no assunto, porque isso meio que estragou minha visita à cidadela de Machu Picchu mesmo... O legal de subir essa montanha? Pra quem gosta de trekking, pra fazer o caminho do tal sacerdote, por história, pra sentir a liberdade lá de cima da montanha. O que eu fui fazer subindo essa montanha? Ganhar o troféu "pra quê". "Praquê que eu fui inventar uma porcaria dessa."... Vou te falar, quase morri. Todo mundo leva de 40 minutos a uma hora pra subir e descer, eu levei TRÊS HORAS. A vista de lá de cima é diferente porque você vê a cidadela por trás, por um ângulo diferente do que estamos acostumados a ver. Aí depois, DEPOIS, de noite, morta na pousada, eu descubro que essa infeliz dessa montanha é 1000 metros mais baixa do que a montanha da frente, mas ela é MUITO MAIS  íngreme e mais difícil que a Machu Picchu... Achei que subindo ela, mais baixa, eu era mais esperta que todo mundo zé-ruela que subia a outra mais alta só pra não pagar a taxa... Hehehehe... Mas enfim, com essa idéia ridícula de subir a montanha sem preparo físico nenhum, eu desci cansada e não tive ânimo pra caminhar pela cidadela depois. Acabei indo almoçar no restaurante que tem lá mesmo e depois fui pra fila pegar o ônibus pra descer de volta pra Aguas Calientes pra descansar. Se eu soubesse que iria me cansar assim, teria reservado o outro dia pra voltar pra lá e fazer a cidadela com mais calma, mas não fiz isso, então tenho que voltar a Machu Picchu. Ah, tb não sei se nesse caso o ingresso valeria pro dia seguinte, eu acho que não, acho que teria que comprar outro.
Dormimos essa noite ainda em Aguas Calientes, e no dia seguinte pegamos o trem cedo pra Ollantaytambo. PORÉM, descemos lá e não visitamos nada, meu amigo tava com um piriri bravo (ceviche) e decidimos pegar uma van de volta a Cusco o mais rápido possível. Então, como a cidadezinha também é um ovo, bem do lado de onde descemos do trem, já tinha um pessoal oferecendo a viagem de volta a Cusco pelo equivalente a 10 reais por pessoa na van, e voltamos. Quase duas horas depois, chegamos a Cusco de volta.
Lhama fofa gostosa em Machu Picchu


CUSCO (Uhuu, tamo no Peru, bora comer ceviche, minha gente!!)

Bom, nossa primeira noite foi em Cusco. Depois, no dia seguinte, fomos a Aguas Calientes, e no retorno ficamos mais 3 noites em Cusco curtindo a cidade, que vale a pena.
No primeiro dia, ao chegarmos no aeroporto de Cusco, pegamos um taxi até nosso hotel, o Hotel Ruínas, que fica bem localizado, próximo à Plaza de Armas. Eu aprendi que praticamente todas as cidades legais da América Latina tem uma Plaza de Armas, que é uma praça mesmo, daquelas de coreto, no centro da cidade, rodeada de restaurantes, lojas, rodoviária (as vezes), hostels e agências de turismo. Então sempre que posso, procuro um hotel próximo da Plaza de Armas. O Ruínas fica a duas quadras.  Ali perto também tem várias laundry services, que eu utilizava pra lavar minhas roupas da viagem. Isso é uma dica legal: leve uma mala com poucas roupas, e vá lavando conforme for precisando. Não é caro e vc não precisa arrastar quilos de mala de um lugar pro outro.
Cusco é uma graça de cidade, reduto de mochileiros, carregada de lojinhas de badulaques, cerveja boa (a cusqueña), e alta (embora eu não tenha passado mal com a altitude). Tem pub, Starbucks pros mais metropolizados, Catedral, ônibus de sight seeing, peruanas com roupas típicas vendendo fotos, lhamas... Cusco vale pelo menos uns 3 dias pra curtir a atmosfera local.
À noite gostávamos de passear pela Plaza de Armas e escolher nosso restaurante e lojas.
COMIDA em Cusco... Para comer em Cusco, abusei muito do ceviche. Porém, depois de uns dias, quando já estava em Arequipa, tive uma intoxicação brava e precisei tomar antibióticos. Paguei um médico particular pra fazer uns exames, e ele me disse pra NUNCA comer ceviche em Cusco, apenas em cidades litorâneas ou cidades que se afastem no máximo 100 km do mar, mais que isso, o peixe nunca é fresco, e o risco de infecção alimentar é alto. Fora o ceviche, há muitas opções de comida em Cusco. A comida peruana é muito boa. Não deixe de comer as papas rellenas (batata assada com recheio de carne moída com cebola, divina). O cuyo (porquinho da India), eu não tive coragem de comer, mas quem comeu disse que é bem gostoso.
Noite na Plaza de Armas em Cusco

 
 PUNO (Aqui o ceviche ainda não tinha se rebelado...)

Bom, Puno não foi uma cidade que eu tenha gostado... passamos apenas uma noite (da chegada do trem vindo de Cusco), e na manhã seguinte fizemos o passeio às ilhas Uros (magnífico), e fomos embora ao meio-dia. É bem diferente de Copacabana na Bolívia, também cidade-base para quem quer conhecer o lago Titicaca.
Compramos nosso passeio para Uros assim que chegamos no hotel, fechamos lá mesmo com uma agencinha local e no dia seguinte saímos bem cedo pras ilhas. Uros é fantástica, é um arquipélago formado de ilhas artificiais flutuantes, feitas de totora. Fomos super bem recebidos pela comunidade local, aprendemos sobre as ilhas, compramos artesanato deles para ajuda-los e tiramos muitas fotos. Você ainda pode visitar as outras ilhas flutuantes (Taquile) e dormir por uma noite.
Ilha Flutuante de Uros


AREQUIPA (E agora, com vocês... o piriri do ceviche!! - ainda bem que foi durante o sightseeing, com paradas em vários banheiros)

Arequipa é uma das cidades mais bonitas que eu já visitei, e arriscaria dizer que é a cidade mais bonita do Peru (que eu tenha visitado, claro). É super charmosa, rodeada de vulcões, uma atmosfera incrível e muitos lugares bonitos pra visitar. Pena que durante minha estadia na cidade eu tive uma tremenda de uma intoxicação alimentar (como eu já avisei no subtítulo, causada pelo ceviche malo de Cusco), e passei praticamente os três dias de cama (e no banheiro). E aproveito a deixa do piriri do ceviche pra elogiar mais uma vez o pessoal da pousada que eu estava hospedada em Arequipa, La Hospedaria. Todo mundo se sensibilizou com a minha sinfonia de pardais roucos no banheiro e chamaram até um médico particular pra mim (que eu tive que pagar, lógico, mas que custou menos de R$ 100,00 a consulta com o retorno no médico ao hotel no dia seguinte). Fiz exame de sangue, e o médico pediu, além dos remédios que meus amigos foram comprar pra mim, uma dieta super restrita nos primeiros dias. No dia seguinte, a camareira já foi ao meu quarto com uma bandeja com chá de coca, pãozinho, manteiga e geléia. E disse que eles haviam perguntado pro médico o que eu poderia comer naqueles dias, e estavam seguindo as orientações dele. Meu... que isso? Hotel todo parou pra me atender. Era chazinho o tempo todo, visita das camareiras, todo mundo perguntando como eu estava. Por isso recomendo pra TODO SANTO MUNDO que vá a Arequipa e que fique no La Hospedaria. Excelente.
Ahh, e ainda assim consegui um tempinho pra tirar umas fotos e provar a cerveja local, Arequipeña.
Arequipa e um dos seus vulcões, o Misti
Cerveja local de Arequipa... muito boa!


NAZCA

Chegamos umas 05h30 da manhã de ônibus vindo de Arequipa, e ao descermos no ponto central, já havia vários tipos de transporte até o aeroporto. Havíamos comprado nosso voo para conhecer as Linhas de Nazca em Arequipa, em uma agência no centro da cidade, e no aeroporto já encontramos nosso guichê. Fomos pesados (tem um peso limite para a aeronave que iria nos levar),  e em seguida esperamos em torno de uma hora até que fôssemos chamados para embarcar. Nesse meio tempo, tomei um comprimido de Plasil, e aconselho veemente todos a fazerem a mesma coisa, mesmo quem goza de um ótimo estômago resistente a vários loopings. Como eu me enjoo com qualquer viradinha meio brusca de avião, achei prudente tomar e foi a melhor coisa que fiz. O vôo é bem tranquilo, porém fica fazendo várias voltas em torno das figuras, 360º pra cá e 360º pra lá, dali a pouco meu estômago tava na cabeça e se não fosse o Plasil, não teria dado conta de terminar o voo limpa.
As linhas são impressionantes. Só digo uma coisa: VÁ. Faça o voo e veja por si mesmo. Não vou dar explicações pra não estragar as informações do guia que vai junto no voo, mas... impressionante.
Fora isso, a cidade não tem mais nada interessante para se visitar. Depois do voo, já fomos embora.
Voo em Nazca... todo mundo verde saindo do avião C210


ICA

Ficamos apenas meio dia na cidade, apenas para visitar o museu local. Depois já seguimos pra Huacachina, o oásis.


HUACACHINA

Huacachina é um oásis, cercado por dunas, e muito bacana. Escolhemos ali na hora uma pousada para passarmos a noite, porque embora não se tenha muito o que fazer por ali, precisávamos de um descanso depois de várias viagens seguidas de ônibus, e o pequeno oásis é o local ideal pra se passar uma noite apreciando as estrelas, a gastronomia local, cerveja peruana e silêncio.
Oasis à noite


PARACAS

Paracas é litoral, uma cidadezinha sem muitas atrações, mas tem alguns passeios de barco para apreciar a fauna marinha que são bem legais de fazer. Fora isso, tem o famoso Candelabro, aquela imagem gravada na areia, que vimos num desses passeios de barco. A cidade ainda tem um parque nacional que pode ser visitado para vista do pacífico (região linda), e vários fósseis de épocas antigas.
Paracas é outro lugar pra se considerar quando quiser dar um break na viagem pelo país, é agradável, tem alguns poucos hotéis grandes, onde vc pode aproveitar uma tarde na piscina, bebendo pisco sour e relaxando...
Litoral de Paracas


LIMA


A capital é super agradável e bonita. Fiquei admirada com a limpeza da cidade e o clima sempre seco e nublado. Tem muitas opções de restaurantes, inclusive no centro. Ficamos no bairro de Miraflores, residencial e muito bonito. Além de shopping, passeios à beira mar, tem ônibus de sight seeing, casas de salsa, aulas de surfe e ceviche de todos os tipos de peixes e frutos do mar. A cidade ainda tem um parque só de fontes de água, coloridas e super bem conservadas, e durante a noite fica lotada de turistas e locais. Vale a pena o passeio. Passamos 3 dias, e foram suficientes.
Parque das Aguas em Lima