segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Como foi minha viagem ao Salar de Uyuni, na Bolívia


Essa foi uma das viagens que eu mais ansiava realizar, e posso dizer com toda certeza de que foi um dos lugares mais lindos que já vi. Se você curte fotografia, TEM obrigação de ir ao Salar.
Eu fui com uma amiga de São Paulo, fomos em fevereiro de 2016. Pegamos uma promoção muito boa de passagem da Gol, de São Paulo (Guarulhos) a Santa Cruz de la Sierra, voo direto e rápido. Do mesmo jeito que eu expliquei em outro post, sobre como sair da zona de conforto e enfiar a cara em uma viagem, nós ficamos sabendo da promoção de passagens pelo site Melhores Destinos. A passagem com taxas de embarque sairia coisa de R$ 580,00 por pessoa, e ainda poderíamos parcelar em 6 vezes. Eu já tinha ido à Bolívia uma vez, e queria voltar, principalmente para ir ao Salar, então quando minha amiga comentou sobre a promoção em um grupo de whatsapp, metade do grupo comprou a passagem. Compramos para o mês de fevereiro (isso era junho), porque eu havia lido em blogs que fevereiro era uma boa época (de chuva) para pegar o Salar alagado (que era o que eu pretendia fazer mesmo). Expliquei no grupo a minha intenção de viajar na época de chuva, e aos poucos começaram os questionamentos do pessoal que havia comprado a passagem junto, sobre a época, sobre o que estavam lendo em blogs, sobre muita chuva, sobre alagamentos, sobre o parque estar fechado devido às águas, sobre passeios serem cancelados nessa época. Nada me abalou, nem a mim nem à Fabi, a garota que acabou indo (a única) comigo na viagem. Todos os outros desistiram pelos mais variados motivos.
Bom, enfim, planejamos nossa viagem e fomos. As duas. Sozinhas. Sem medo. E foi espetacular.


Dia 1 - Voos de São Paulo a Santa Cruz, e de lá para Sucre

Bom, nosso voo saiu de São Paulo às 11h05 da manhã do dia 20/02/16, um sábado, e chegamos em Santa Cruz às 12h10 horário local. Vai, passa pela imigração (que é meio demorada), pega mala, passa pela revista, sai no saguão e vamos procurar o balcão da Amaszonas, para despacharmos nossas malas e embarcarmos num voo para Sucre às 17h30 (que depois foi modificado pela companhia aérea para as 16h30). Compramos essa passagem da Amaszonas pelo site da companhia aérea mesmo (https://www.amaszonas.com/pt-br/). Depois de despachar as bagagens, sentamos nas cadeirinhas do aeroporto, aguardando o embarque, e eu, faminta como sempre, de longe avistei um tiozinho passeando pelo terminal com um carrinho daqueles cheio de marmitinhas, vendendo para os funcionários das lojinhas do aeroporto. Fiquei meio sem graça de ir falar com ele, então a Fabi (mais despachada do que eu) foi lá e voltou com a resposta: era marmitinhas de comida mesmo, e ele ainda tinha saladas de frutas e um creme doce de milho, bem parecido com nosso curau. Esfomeada e verde, comprei logo uma marmita e um potinho do creme de milho, e me deliciei com uma comidinha caseira composta de arroz, feijão, ovo frito e bife com tomate e cebola. Muito bom! Temperinho ótimo e sem pimenta. O creme de milho virou minha sobremesa e estava bem gostosinho também...
Fotinho da marmitinha, do doce de milho
da saladinha de frutas da Fabi e nosso
aviãozinho que iria pra Sucre lá atrás do BOA


Nosso voo decolou às 16h40 mais ou menos, e rapidinho chegamos a Sucre. Eu, como da primeira vez que viajei à Bolívia, já comecei a sentir tontura ao desembarcar no aeroporto de Sucre (e olha que Sucre nem é tão alta, fica a 2810m do nível do mar (já estive em lugares mais altos, como Cusco, sem sentir nenhum desconforto). Do aeroporto pegamos um taxi até nosso hostel, o Villa Oropeza, que fica situado no centro histórico de Sucre. Quando chegamos ao hostel, descobrimos que no dia seguinte seria um domingo de eleição, e tudo, eu repito: TUDO, estaria fechado. Lojas, mercados, farmácias... tudo. Até a rodoviária, que pretendíamos ir para comprar uma passagem de ônibus para Uyuni para a segunda-feira de manhã (e sabíamos, após ler alguns blogs, que na Bolívia geralmente eles só vendem passagens com um dia de antecedência, e que esse ônibus matutino pra Uyuni costuma lotar de turistas porque era a melhor empresa que fazia o trajeto
... então o jeito seria acordar bem cedo na segunda e correr pra rodoviária antes de turistas enlouquecidos pelas últimas poltronas do ônibus diurno rumo ao salar). Então o pessoal do hostel nos indicou um mercadinho para comprarmos água e alguma refeição para o dia seguinte, que aparentemente seria um dia apenas de passeio pela cidade fechada.
Ah, detalhe, ao chegarmos no hostel, nos deparamos com nosso nome num quadro branco de entrada do hostel, nos dando as boas vindas...

Olha que fofo!! Fabiana Lima e Ingrid Oliveira!


Dia 2 - Dia perdido em Sucre...

Naaaa... perdido é maldade, vai! A cidade é bem legalzinha de passear. Me lembrou um pouco Cusco, mas a cidade peruana me pareceu um pouco mais charmosa. Não sei se por ser dia de eleição, a cidade estava meio vazia, tudo fechado, tudo monótono. Passeamos pelo centro histórico e voltamos mais tarde ao hostel, para interagirmos com os outros hóspedes, já que parecia bem melhor do que ficar morrendo de subir morro pra ver mais pontos diferentes da cidade... No nosso hostel conhecemos uma espanhola, a Rakel, que acabou acompanhando a gente até o resto da nossa viagem pela Bolívia (isso que é legal de albergue, a gente acaba se enturmando, conhecendo gente nova e acompanhantes novos para os passeios).

Eu, morta de pedra, sem respirar direito,
sorrindo linda e contagiante para uma foto no topo
do Tanga Tanga, com a vista de Sucre ao fundo
(cê não faz idéia do tamanho da subida pra chegar aqui...)


Dia 3 - Viagem de ônibus de Sucre a Uyuni

Fomos cedinho à rodoviária de Sucre e conseguimos comprar bilhetes de ônibus na empresa 6 de Octubre, que foi a empresa de ônibus mais recomendada em blogs que lemos a respeito. Compramos para o ônibus que sairia de Sucre às 09:30 da manhã, com chegada prevista em Sucre às 17:30. O ônibus não parou em Potosi para troca de carro, como lemos que algumas empresas o fazem, apenas entrou em Potosi, deixou algumas pessoas em um ponto de ônibus, e seguiu viagem a Uyuni.
O ônibus não era de todo ruim, mas também não era um extremo conforto como os ônibus que pegamos no Chile e no Peru em outras viagens. E o que era muito importante pra mim: não havia banheiro no ônibus. Isso pra mim é um problema, já que a cada duas ou três horas eu preciso de banheiro. Perguntei ao motorista, e ele me informou que ele fazia algumas paradas durante a viagem para que usássemos "baño". A primeira parada, coisa de uma hora depois do início da viagem, foi num posto de gasolina para abastecer o ônibus. Já havia visto isso na Malásia, de ônibus parar em posto de estrada para abastecer. Aproveitamos e usamos o banheiro do postinho. Depois de mais umas três horas, paramos num lugar que havia banheiros e restaurantes, e o motorista informou que era parada para almoço. Preferimos não almoçar por ali com medo que depois precisássemos usar banheiro (mais ainda), então ficamos apenas bebendo água e comendo biscoitos, enquanto boa parte dos turistas do ônibus - incluindo o motorista - almoçavam tranquilamente num restaurantezinho simpático. Dali umas duas horas, vi quando uma garota foi até o motorista e provavelmente perguntou sobre parada para banheiro. Não sei o que o motorista respondeu pra ela, mas ela voltou tranquila para o lugar dela e em menos de meia hora o motorista parou no acostamento da estrada e gritou:
- Baño!!
Peguei meu costumeiro rolinho de papel higiênico e desci do ônibus, e admirei um descampadão. Não tinha nada ali a não ser terra e pedras. Algumas árvores minúsculas e secas completavam a paisagem. Olhei para o motorista e perguntei:
- Donde está el baño??
O motorista apenas sorriu, os olhos quase fechados por conta do sol, e olhou o descampado.
Ai, carambaaa!! El baño era ali no meio da terra mesmo!! O negócio era escolher um bonsai daqueles e me "esconder" dos olhares curiosos... Aí os outros passageiros do ônibus começaram a descer e se aventurar pelo descampado deserto, e eu fui pra um lado onde tinha um pequeno barranco, que deveria formar tipo um riozinho nas épocas de chuva - porém estava seco. Mas como fazia uma parede pra impedir as vistas das minhas partes pro resto do busão, corri pra lá. Daí percebi o monte de meninas que me seguiam, tendo a mesma idéia. Relaxei e fiz o que precisava e retornei ao ônibus. Sabia que deveria ter usado saia longa nessa viagem para evitar de ter que baixar calças em qualquer lugar assim, mas ainda bem que consegui o morrinho escondido...
Chegamos em Uyuni pouco depois das 17h. O ônibus parou em uma esquina, que já estava lotada de pessoas vendendo pacotes para o Salar e Atacama. Fomos pesquisando os preços dos pacotes - e como pela internet eu já tinha lido que poderíamos encontrar passeios por 80 dólares por pessoa, por 3 dias, não aceitamos os primeiros que nos ofereceram. Todos pediam 120, 125 dólares por pessoa. Começamos a negociar, mas ninguém abria mão do valor, e falaram que a gente não iria encontrar por menos que isso. Eu já havia decidido que pagaria até 90 dólares, mais que isso eu não queria pagar. Acabamos encontrando uma agência que fez por 94 dólares por pessoa, 3 dias de tour, com refeiçoes e alojamento, com banho incluído só na primeira noite (e na verdade tivemos que brigar lá no alojamento porque não queriam deixar a gente tomar banho sem pagar, mas já estava fechado com a agência) , com retorno a Uyuni e acomodação por aquela noite em Uyuni - o que na verdade não pegamos pois já tínhamos hostel reservado e pago. Se eu soubesse que as agências já ofereciam acomodação na primeira noite ali também, não teria fechado a reserva antecipadamente... Mas o motorista do nosso tour mesmo se prontificou a nos levar ao nosso hostel, e informou que passaria no dia seguinte às 07h da manhã para nosso passeio.
Nosso ônibus saindo de Sucre

Dia 4 - Passeio pelo Salar de Uyuni

Nosso carro

Eu e a espanhola no fundo, duas chilenas e o japonês no centro e a Fabi.

Separamos uma mochila pequena apenas com o necessário para sobreviver por 3 dias no tour do Salar, visto que não caberia muita bagagem na caminhonete que nos levaria ao passeio. Apenas aqueles que fossem ficar no terceiro dia na divisa com o Chile (para continuarem o passeio pelo Atacama) poderiam levar toda a bagagem. Além de roupas, câmeras, e afins, ainda tivemos que levar um pequeno estoque de água (garrafas de 1,5l), biscoitos, lenços umedecidos, papel higiênico, para passarmos com um pouco mais de tranquilidade no ambiente rústico do deserto (e aconselho fortemente a levar duas havaianas - a minha estourou em Uyuni, uma noite antes de ir ao Salar, e como o deserto de sal estava alagado, o sal duro, eu não poderia usar tênis durante a visita porque poderia "grudar" os pés e tomar tombos, então era apenas chinelo ou... descalça, que foi o que fiz - e machuquei toda sola do meu pé). 
O motorista nos pegou às 07h da manhã, conforme combinado, e passou na agencinha do centro para pegar mais 3 turistas que iriam conosco, um japonês e duas chilenas. Praticamente quarenta minutos após a saída da agência (onde guardamos o restante da nossa bagagem), já chegamos ao cemitério de trens. Várias locomotivas enferrujadas, vagões, trilhos, rodas, expostas ao ar livre para a visitação. Ficamos por meia hora ali antes de continuar a viagem ao Salar.

Cemitério de trens

Bandeiras de várias nacionalidades, junto ao hotel de sal.

Primeiro chegamos a uma parte seca do deserto, o sal duro e branco lembrava neve olhando de longe. Fizemos várias fotos e seguimos para um hotel de sal apenas pra almoçar. Várias outras pessoas já se encontravam com seus guias almoçando nas várias mesas dispostas para grupos dentro do hotel de sal. Nosso guia achou uma mesa pra gente, e serviu o almoço, que era frango cozido, arroz, salada, batatas e coca-cola sem gelo. Uma garota do meu grupo pediu comida vegetariana para toda a viagem, e normalmente o prato dela era omelete ou mais legumes cozidos. Se a pessoa for vegana, o que não era o caso da minha amiga, terá que pedir também para que não levem ovos, mas acho que é bem tranquilo para veganos. Dali seguimos para o deserto de sal.

Almoço no hotel de sal

O imenso deserto de sal estava alagado graças às chuvas - e era desse jeito mesmo que eu queria vê-lo da primeira vez. Havia coisa de 10 cm de água represada sobre o sal, e eu ali descalça (lembra que eu estourei meu chinelo na noite anterior? Foi durante a corrida desesperada pra ir buscar a pizza no albergue que estávamos, eu vivo morrendo de fome e me desesperei de alegria quando avisaram que a pizza que havíamos pedido havia chegado...). Belisquei meu pé todinho, mas foi até hoje uma das paisagens mais fantásticas que já vi em qualquer viagem que tenha feito. Tudo muito lindo, várias imagens duplicadas pelo reflexo na água, algo sem igual. Fantástico.

Meu pé todo perfurado já e eu fazendo pose pra foto...

Olha só isso! Não é espetacular??

Making Of

Continuamos nossa viagem pelo deserto até chegarmos no nosso alojamento - e eu já estava esperando o inferno de lugar sujo. Mas não era... até que era bem ajeitado. Era super simples, do lado de fora era chão de terra e paredes mal pintadas. Do lado de dentro, piso cimentado, reboco quase sem tinta. Um banheiro só, unissex, com uns 4 toaletes e umas 3 pias, para uso de pelo menos umas 60 pessoas. Não tenho problemas em dividir banheiro assim, mas uma hora que eu fui usar um, me fechei lá dentro, desinfetei com lysoform e forrei bem a privada, e sentei como uma diva esperando o poop vir. Quando de repente me para do lado de fora, por baixo da porta, um pézão tamanho 46 (tinha uns gigantes nórdicos hospedados no alojamento), tentou forçar a maçaneta, e ao perceber que estava ocupado, grudou na porta e berrou:
- Pode ficar à vontade aí, eu espero!!
E ficou lá, o pézão 46 na soleira, aguardando meu poop também.
Não teve jeito, parei tudo, volta poop, levanta as carça, saí. Aí percebi um alemão franzino que também tava no mesmo desepero que eu, olhava todo mundo, esperava o banheiro ficar vazio, e ia embora. Tentei mais tarde. Banheiro lotado. Dei de cara com o alemão franzino indo tentar a sorte. Tentei depois da janta, mas na ida já vi o alemão franzino voltando com cara de desanimado, provavelmente o banheiro estava lotado. Mas ainda assim tentei, só pra fazer um bate-e-volta. Negócio foi colocar despertador às 03h00 da manhã e fui, com lanterninha e meu rolinho de papel higiênico debaixo do braço. Banheiro vazio. Êêêêê!! Só eu e a privada, uhuuuu!!! Aí deu certo, poop foi embora, eu feliz e saltitante! Quando tô saindo do banheiro com minha lanterninha, veio outra no sentido contrário. Era o alemão franzino que também colocou o despertador pras 03h15 da manhã pra evitar o rush do WC.
Mas vamos parar de falar de assuntos escatológicos e vamos voltar ao alojamento. 
Estava muito frio, era mês de fevereiro, e estava em torno de 4ºC, de dia. Eu saí pra fazer umas fotos e tive que voltar para o alojamento porque não estava bem agasalhada. Durante a noite deve ter feito uns 0ºC. O guia disse que no inverno chega a fazer -30ºC naquela área. Eu não duvido.

Nosso quarto no alojamento (e todo mundo já desmaiado)

Minha cama à direita...

Parte externa dos alojamentos, onde serviam as refeições

Do lado de fora, um frio de lascar...

O engraçado é que mesmo com aquele frio todo que estava fazendo, e sem energia elétrica dentro do alojamento (havia apenas um período que ligavam a energia, entre 18 e 20 horas. Nesse horário, uma régua de tomadas ficava lotada com todos os carregadores dos turistas, carregando celulares, câmeras, tudo o que precisasse), não fazia frio lá dentro. As cobertas das princesas que nos ofereceram foram mais do que suficientes para nos aquecer. E também não sofri nada com roupa de cama suja: se estava suja, não deu nem pra perceber. Não fedia e não aparentava sujeira. Eu caí de boa debaixo das cobertas e adormeci como um filhote de cachorrinho.
Agora, a parte do banho foi horrível... conseguimos um chuveiro frio, 5 minutos de banho cada uma, depois de muita discussão com o pessoal do alojamento, pois nossa agência havia garantido que na primeira noite teríamos banho incluído. 5 minutos é muito num banho gelado no deserto, vai por mim..,. levei uns 3 minutos no banho de gato com mais miadeira que vc já pensou ter visto, nunca reclamei tanto de uma água gelada na minha vida.
Durante a tarde, nos dois alojamentos que ficamos, foi servido um chá da tarde com bolachas, manteiga, café, leite e chá. Nossa mesa complementou com algumas bolachas que havíamos levado na nossa mochila. Mais tarde serviram o jantar, que era sempre uma sopa de entrada e um prato principal, como macarrão, por exemplo. Na segunda noite ganhamos inclusive uma garrafa de vinho por mesa (que eu nem bebi por causa da altitude, só o japonês do meu grupo - que deve ter sido criado com saquê desde bebê - que virou alguns copos de vinho com a maior naturalidade do mundo. E eu morrendo de medo que ele passasse mal e vomitasse a noite no nosso quarto... o que não aconteceu. Bicho era regado no saquê, certeza).

Nosso chazinho da tarde, muito providencial naquele frio todo (e a espanhola só de camiseta pra me contrariar...)

Antes da nossa janta, uma sopinha de vegetais pra esquentar.

Dia 5 - passeio pelo Deserto e Arbol de Piedra

Saímos cedo do alojamento para nosso passeio, e rodamos muito pelo deserto boliviano que, diga-se de passagem, vale todo o passeio. A paisagem é rústica, areias, pedras, montanhas nevadas, outras nem tanto. As lagoas do nosso passeio estavam praticamente todas secas, então creio que essa época não é boa pra ver aquelas lagoas verdes que vemos pela internet... Só um resquício de água em lagoas normais, rodeadas de flamingos (ecaaaa.... gente, como esse bicho fede. Ou é o cocô dele?) e com pouca coisa pra se ver de diferente. 

Flamingos lindooos - nada, bicho mais fedorento do mundo. Aqui foi bom porque fotografei de beeeeem longe.

Paisagem do deserto.

Nesse dia nós fizemos nossa parada para almoçar junto à famosa Arbol de Piedra. Eu vou confessar pra vocês que eu não estava nem um pouco animada em ver essa árvore... e muito menos animada em almoçar. Minha pressão deve ter subido horrores e eu tava malzaça com a altitude ali. E o povo todo montou uma toalha de piquenique no sol... a escandinava aqui tava morrendo (eu falo isso e todo mundo assusta, mó morena jambo falando que é escandinava. Mas eu explico: tenho HORROR a sol e calor, me cubro toda, chapéu, blusa de manga longa, saia longa, tudo o que eu puder fazer pra evitar sol e calor, eu faço. Daí eu falo que sou branca como uma escandinava e que pessoas assim não podem tomar sol :) hehehehehe). Encontrei com muito custo uma sombrinha pra comer minha comida, mas eu queria mesmo era voltar pro nível do mar.

A Arbol de Piedra

Guididi morrendo

Guididi morrendo mas sorrindo pra foto...

Olha só que jaca, 4900 mt de altitude? Que isso, minha gente...

O piquenique até que tava bonitinho...

Depois nós seguimos pelas paisagens impressionantes do deserto até nosso alojamento.


Espetáculo de lugar...


Dia 6 - Passeio pelos gêisers e fronteira com o Chile. E nossa volta a Uyuni. E o pneu do carro.


Então acordamos muito cedo pro nosso último dia de passeio pelo deserto. Tinha que ser cedo para que víssemos os gêisers em atividade, antes do nascer do sol. Então saímos da pousada umas 05h da manhã. 
Já no caminho para os gêisers, paramos nosso carro por algum problema. O motorista desceu, olhou e voltou.
- Vocês terão que descer do carro para eu trocar o pneu.
Báááásico. Tava só uns -2ºC lá fora, tranquilo. Descemos e eu me arrependi de justo esse dia não ter levado a cobertinha azul que me acompanhou a viagem toda. Eu gosto de frio, muito, mas nem por isso eu passo o frio... claro que prefiro passar frio a calor, mas assim, no meio do deserto, sem meu cobertorzinho?? Nããão... mas foi. Bom, descemos e esperamos o motorista trocar o pneu. Parou outro jipe logo atrás, e o outro motorista veio ajudar o nosso.

Maledeto...

Hehehe...  motorista tentando trabalhar e a mina legal tirando foto...

Esperando...

Jesus de muletas, sai debaixo desse carro que me dá calafrios!!!

Mas enfim conseguimos retornar pro carro e seguir viagem até os gêisers!! Legal. Quente. Cheiro de enxofre. Já quero ir embora, tá bom já.


Ma num dá pá vê nada na foto, uai...


Daí seguimos pro banho turco. Hehehehe! Nada, uma área de água termal que o povo se pôs a tomar banho. Arghhh, eu tenho uma gastura de entrar em água quente com ambiente frio, vocês não tem noção! Mas, o povo foi. Sei que tinha que pagar uma taxinha pra poder entrar nas águas quentes. Só fiquei de fora fotografando a região enquanto o povo se esbaldava. Argh, que gastura.

O povo lá todo feliz, credo.

Depois das águas termais, seguimos viagem até a fronteira com o Chile, mas nosso carro deu problema de novo. Motorista parou de novo pra mexer no pneu, e nosso medo era que o pessoal perdesse o transporte para o Atacama (desde a saída da agência em Uyuni, poderíamos ter comprado o passeio com Deserto do Atacama. Quem fosse seguir viagem para o Chile iria desembarcar nessa fronteira, e lá estariam outras vans esperando os turistas para continuarem com eles o passeio e essas vans tinham horário para sair de lá. Estávamos receosos que não conseguíssemos chegar a tempo, e as duas chilenas e o japonês que seguiriam pro Atacama iriam perder a van deles. Eu, minha amiga e a espanhola seríamos as únicas que não desceríamos lá, voltaríamos no batidão com o motorista pra Uyuni, cerca de 7h de viagem de volta).
Trocado pneu de novo, continuamos a viagem até a fronteira, mas o motorista nos avisou que não faria mais nenhuma parada com medo de não dar tempo. Também, acho que nem havia mais nenhuma parada programada no caminho, e como eu disse antes, as lagoas estavam todas secas e feias (e cheias de flamingos, eca). Com isso conseguimos chegar na fronteira a tempo do pessoal pegar a van pro Chile. Despedidas feitas, eles correram pras vans e seguiram pra San Pedro do Atacama. Enquanto isso nós ficamos pelo menos uma hora e meia parados ali com o motorista tentando arrumar de vez a roda do nosso carro.





Nosso carrinho em tratamento VIP.

Mágicas do motorista...

Valha-me, um sol rachando a molêra, fiz um turbante.

Geringoncinha quase arrumada!
Bom, jipinho arrumado, entramos no batidão rumo a Uyuni de novo! Motorista fez uma corrida mais veloz do que a normal, e em 6 horas chegamos a Uyuni. No meio do caminho parada para banheiros (um foi a céu aberto mesmo, eu atrás do jipe, uma sensação de liberdade sem igual), e paramos pro almoço também.
Chegamos em Uyuni umas 18 horas, e fomos comprar passagens de ônibus pra La Paz. Minha intenção era pegar o trem na madrugada até Oruro, e de lá seguir de busão pra La Paz, mas minhas companheiras de viagem não quiseram dessa forma porque demoraria mais tempo. Então rodamos no centrinho de Uyuni (pequenininho que só), até achar uma empresa que oferecesse ônibus com banheiro. Achamos uma e compramos a passagem para as 19h30. Enquanto isso fomos comprar água e comida.
A viagem até La Paz foi super tranquila, o ônibus era confortável e consegui dormir o trajeto praticamente todo, e chegamos lá por volta de 05h30 da manhã.


Dia 7 - La Paz

Chegamos de madrugada, chovendo, e pegamos um taxi da rodoviária até nosso hostel. Demorou um pouco para sermos atendidas, e o garoto que nos atendeu falou que só poderíamos pegar nossas camas às 08h00. Sem problemas, pudemos usar banheiro, tomar UM BANHO depois de praticamente 3 dias sem!, e nos recostamos nas cadeiras confortáveis do lobby esperando o horário. Às 07h00 eles serviram o café da manhã e nós pudemos comer também.
Passamos o dia passeando por La Paz e conhecendo seu centro, a Calle de Las Brujas, as lojas, restaurantes, tudo no centro. A nossa amiga espanhola ainda aproveitou para comprar um passeio da estrada da morte que sairia no dia seguinte cedo. 

Calle de Las Brujas

La Paz


Dia 8 - La Paz a Santa Cruz de La Sierra


Aproveitamos esse último dia da viagem para andarmos de novo em La Paz e comprarmos lembrancinhas, tirar as últimas fotos, e seguimos pro aeroporto pegar nosso voo a Santa Cruz.


Dia 9 - Santa Cruz de La Sierra a São Paulo

Dormimos em um hostel em Santa Cruz e nem conhecemos a cidade... de manhã tomamos café, nos arrumamos e já seguimos pro aeroporto pegar nosso voo para Guarulhos.

Bom, a Bolívia é um país impressionante. Já fui a Santa Cruz numa outra viagem, Samaipata, La Paz e Copacabana. Ainda preciso voltar pra conhecer Cochabamba e Oruro, mas agora fica pra próxima viagem.
Obrigada pela visita e espero que o post seja de valia!

:) Guididi









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